Mística do Hábito

O ser humano costuma cobrir o que considera precioso. O mesmo acontece com o corpo. Estamos diante de uma linguagem corporal, diante da comunicação através do corpo e das vestes como extensão do corpo.

O ser humano usa a veste em vários sentidos, com várias finalidades. Um primeiro aspecto, certamente não o mais significativo, é uso utilitário da veste como proteção contra o frio, o calor, a areia…, fora esse sentido utilitário, o ser humano usa a veste ao menos sob três aspectos importantes: para exprimir um estado de alma, para significar atividades diversas e funções diferentes.

Estados de alma como alegria, tristeza, festa. Daí a veste de batizado, primeira comunhão, vestido de noiva, etc. Usam-se vestes próprias para diversas atividades como o esporte, o trabalho, o lazer, a praia, a natação. Quer expressar também funções, estados de vida ou profissões, como a farda do militar, a toga do advogado e do juiz, o macacão do gari, a veste do(a) religioso(a), do sacerdote, etc. A veste é também o sinal da condição espiritual do homem.

Através das vestes deseja-se, em geral, transmitir uma mensagem. Esta característica das vestes faz com elas possam expressar também uma mensagem religiosa. Qual será pois a mensagem do religioso e da religiosa através do seu corpo e das vestes? Será uma linguagem de amor conjugal? Não, pois um religioso, uma religiosa renunciam ao casamento por causa do Reino dos Céus. Contudo, ninguém vive sem amor. O amor do religioso e da religiosa será sempre masculino e feminino mas não em sua expressão conjugal. Será a expressão do amor fraterno de irmão ou de irmã dedicado ao próximo, do amor filial consagrado a Deus. O voto de castidade na vida consagrada é um voto de amor: amor fraterno ao próximo e amor filial a Deus. O tipo da veste usada pelos religiosos e pelas religiosas querem, pois, expressar a dedicação de todo amor da pessoa consagrada a Deus somente.

Para o religioso consagrado e para a religiosa consagrada, a veste pode constituir um sinal ou símbolo de pobreza, de não posse das vaidades e pompas deste mundo; quer ser sinal de consagração pelo amor fraterno, distintivo da mensagem central ou do carisma do fundador ou fundadora. O hábito religioso pode ser, portanto, um instrumento de evangelização. O hábito deve ajudar a viver a manifestação do despojamento do Filho de Deus que revestiu da nossa humanidade, que se despojou até de sua forma humana, no mistério da Cruz (Cf. Fl 2, 6-10).

Todo homem, com efeito, está chamado a entrar no movimento de glória inaugurado por Cristo. Se de desvestido grão lançado na terra Deus pode fazer um corpo resplandecente, pode fazer do corpo de cada homem um corpo incorruptível (ICor 15, 37. 42) e sobre a veste corruptível revestiu o homem de uma veste incorruptível ( 2Cor 5, 3). De hora em diante a humanidade sai de sua nudez, obtém a liberdade, filiação e direito à herança divina mediante o ato de “revestir-se de Cristo”. Com aqueles que se despojaram do velho homem e se revestiram do homem novo, pela fé e pelo batismo, Deus constitui uma comunidade perfeita e “única”em Cristo, animada por um princípio novo, o Espírito.

O capítulo III da Regra da Ordem da Imaculada Coneição trata “da forma do hábito desta Ordem”. Temos aí todo um resumo do significado e linguagem simbólica do hábito, como uma maneira peculiar de celebrar o carisma Concepcionista.

Para a Concepcionista o hábito é sinal de Maria e Beatriz, sinal memorial (celebrativo). O hábito é auxílio para recordar a contemplação, serviço e celebração do carisma da OIC: Maria, no Mistério de sua Imaculada Conceição. É Revestir-se dos Mistérios de Maria e conseqüentemente revestir-se dos Mistérios de Cristo. Daí a responsabilidade quanto ao uso do hábito. Usar o hábito em fraternidade: identificação de uma é identificação de todas.

O hábito é ainda expressão de pobreza no sentido amplo. Liberta da escravidão da moda para a fraternidade, neste aspecto o hábito é visto também como sinal de contradição.

É Sinal de consagração e testemunho de pobreza (CCGG 108). O hábito é sinal da peregrinação evangélica (Cf. a orientação de Jesus em Lc 10), que as Concepcionistas, fazem com Maria.

O hábito branco lembra veste sacerdotal – sacerdos = dom sagrado, divino, santo – o homem é dom de Deus e é sacerdote quando responde a este dom. Maria realizou sem interrupção sua vocação sacerdotal.

– o hábito branco mostra a pureza de coração que deixava Maria aberta à ação do Pai. – o manto azul simboliza a predestinação para o Reino de Deus que vem do Pai através do Filho. – o véu preto (ou branco) diz que estamos sob a ação do Espírito Santo, criador da vida em todas nós e vínculo da unidade no amor.

Ir. Eleusa Maria, OIC e Ir. Lindinalva de Maria,OIC